IFPA promove a VII Jornada Meninas na Ciência
O dia 11 de fevereiro foi definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Desde a criação da data, em 2015, até hoje, pudemos acompanhar diversos avanços no sentido da inclusão feminina em pesquisas. No entanto, segundo a própria ONU, as mulheres ainda representam apenas 30% das cientistas em âmbito global. O Brasil representa o terceiro país com maior presença feminina no desenvolvimento científico, com 43,7%.
Nesse cenário, o Instituto Federal do Pará (IFPA) não poderia ser indiferente e, há sete anos, promove a Jornada Meninas na Ciência, com o objetivo de aproximar as meninas pesquisadoras ao papel de uma mulher cientista em diferentes áreas de atuação, ampliando os horizontes das bolsistas que cursam o ensino técnico (integrado ao Ensino Médio ou subsequente) ou graduação na instituição.
“Esse evento é sobre a gente se reconhecer e se sentir pertencente onde quer que estejamos. Meninas, mulheres e jovens senhoras na ciência têm o compromisso de se contrapor ao processo histórico de silenciamento feminino, que existe para reproduzir um sistema que nos exclui e nos impede de avançar. Não podemos admitir mais isso”, afirmou Ana Paula Palheta, reitora do IFPA, durante a mesa de abertura do evento.
Nesta VII Jornada Meninas na Ciência, que ocorre de 11 a 12 de fevereiro de 2026, de forma presencial, no Campus Belém, a mesa de abertura foi totalmente feminina, com a participação da diretora da Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (ProPPG), Caroline Araújo de Souza, e da diretora-geral substituta do IFPA Campus Belém, Rita de Cássia Ferreira Vasconcelos, bem como da já citada reitora.
“É uma satisfação estarmos aqui hoje sediando esse momento e essa celebração, destacando as meninas e as mulheres que hoje se apresentam no cenário da ciência”, iniciou Rita Vasconcelos. A diretora substituta enfatizou, em sua fala, as desigualdades históricas que ainda persistem ao se falar da presença feminina no cenário acadêmico e profissional. “Quando discutimos mulheres negras, a desigualdade é ainda maior. Por isso, é importante ver o IFPA discutindo essa desigualdade e promovendo espaços de diálogo através de projetos e editais”, avaliou.
Já Caroline Souza deu ênfase às vivências e às dificuldades que o “ser mulher” significa em nossa sociedade. “Nas últimas edições, implementamos mesas-redondas para promover o diálogo, e um tema que tem surgido de forma recorrente e preocupante é a violência de gênero”, revelou.
“Diante disso, escolhemos o verbo 'esperançar': este evento é uma oportunidade não apenas de ver o que a colega está pesquisando, mas de fortalecer nossa rede de apoio e adquirir ferramentas para reagir e lutar contra essas violências. Sozinhas não fazemos nada; precisamos reconhecer nossos aliados e fortalecer nossos laços. Quero que cada uma de vocês reconheça a própria importância, pois os projetos que vocês iniciam nos campi podem se transformar em conquistas gigantescas no futuro”, completou.
Na manhã do dia 11, após a mesa de abertura, ocorreu ainda a palestra “Inovação e impacto social: a ciência para transformar realidades”, apresentada poe Luanna Fernandes, pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade do Estado do Pará (UEPA). A programação da jornada segue à tarde com a sessão oral de apresentação de trabalhos. No dia seguinte, haverá a mesa-redonda “Entre Desafios e Conquistas: Mulheres Pesquisadoras Dialogam sobre Assédio e Permanência na Ciência” e a palestra “Jovens Cientistas, Soluções Reais: A Jornada do EcoLuz Trap”, com o relato de experiência das meninas vencedoras da Jornada em 2025. O projeto das garotas seguiu trajetória participando do concursos Solve for Tomorrow, uma iniciativa global da empresa Samsung, onde conquistaram o terceiro lugar.

Meninas e mulheres cientistas no IFPA
Gabrielly Moreno é uma das meninas na ciência do IFPA. Ela é graduanda do curso de Engenharia Agronômica, no IFPA em Itaituba, porém, o projeto que ela faz parte tem a ver com comunicação e inclusão. Intitulado “A voz científica do IFPA campus Itaituba: mapeando mídias e seu engajamento entre os discentes”, a pesquisa consiste na busca pela democratização do conhecimento científico, disponibilizando a ciência em uma linguagem mais dinâmica para os alunos e para a comunidade em geral, incluindo divulgação de estudos, editais e outras oportunidades.
“Utilizamos métodos qualitativos e quantitativos, com questionários via Google Forms, para ouvir as sugestões dos estudantes. Muitos sugeriram a continuidade do projeto para se manterem informados, e surgiu até a ideia de criar uma rádio no campus para divulgar eventos e tirar dúvidas sobre como realizar inscrições”, explicou a estudante.
Pela primeira vez na capital do estado, Gabrielly avalia que participar de eventos como a Jornada são enriquecedoras para sua formação. “Esse evento é de grande importância porque enfatiza o papel feminino no avanço da ciência. No meu curso, por exemplo, vimos muitas mulheres atuando na Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] e desenvolvendo soluções para aprimorar a agricultura brasileira. Além disso, eventos assim são muito importantes para abrir portas, para viajar, e eu recomendo que todos que tiverem a oportunidade participem”, comentou.
Pesquisadora-orientadora, Vera Lúcia Araújo é docente no IFPA campus Belém e comanda o projeto “Unhas postiças ecológicas confeccionadas com escamas de pirarucu”. Com uma equipe totalmente feminina – sendo três estudantes do curso Técnico em Recursos Pesqueiros, uma bolsista e duas voluntárias, bem como uma servidora técnica em assuntos educacionais –, a pesquisa consiste em uma alternativa para o reaproveitamento de resíduos oriundos o beneficiamento do pescado.
Assim, Vera e suas meninas cientistas trabalharam em uma solução da indústria cosmética, que, segundo a professora, busca cada vez mais por opções ecológicas. Por isso, a ideia de fazer unhas postiças a partir das escamas do pirarucu. “Embora esse resíduo já seja utilizado em artesanatos e biojoias, parte dele ainda é descartada”, destacou Vera.
Entusiasta do envolvimento das garotas com a Ciência desde cedo, a docente conclui: “Ao incluir alunas no ensino médio técnico integrado, a gente consegue trabalhar com o aprimoramento de habilidades. E, hoje, elas estão aqui nesse evento para mostrar tudo que elas aprenderam, não só de forma científica, mas também de forma pessoal. Porque todo esse conhecimento que elas constroem na base do Ensino Médio, vai seguir para a vida acadêmica, pessoal e profissional também. É um amadurecimento enriquecedor na vida dessas meninas”.
Reconhecimento
Para encerrar a VII Jornada Meninas na Ciência, houve a aguardada premiação dos melhores trabalhos apresentados. Entre tantos projetos – cerca de três por campus –, a escolha dos premiados, pela banca avaliadora, foi uma difícil missão. “A qualidade dos trabalhos foi excepcional. Nós tivemos trabalhos com níveis acadêmicos muito bons. As meninas vieram muito preparadas e a gente está muito surpreso positivamente com o resultado do que tem sido produzido nos campi”, avaliou a diretora da ProPPG, Caroline Souza.
Neste ano, teve uma novidade sobre as premiações: além dos três primeiros lugares, outros dois trabalhos foram selecionados para receber o reconhecimento de menção honrosa. “Eu estou muito feliz, apresentando um trabalho científico, representando as mulheres marajoaras. Porque o Marajó não é só notícias ruins que falam nos noticiários, mas lá tem sim Ciência, tem mulheres que pesquisam”, declarou Andria da Silva Monte, uma das estudantes premiadas.

Confira os projetos vencedores:
Menções honrosas:

- “Eco-tátil: trilhas de inclusão”, de autoria de Yasmmyn Cunha Nascimento e Maria Vânia Pereira Magalhães (Campus Parauapebas)

- “Caracterização anatômica e histolocalização de alumínio em folhas de Melastomataceae da Amazônia”, de autoria Hanrielly Anikke Gonçalves da Silva, Maria Danyelle Vieira Leal e Laisa Maria de Resende Castro (Campus Altamira)
3º Lugar:

- “Mudanças climáticas e tecnologias na agricultura 5.0: desenvolvimento de protetor solar para plantas a partir de conchas de ostras”, de autoria de Vanessa Lopes Macena, Damile Shara Batista Amaral, Elaine Cristina Medeiros da Rocha, Silvana Gomes dos Santos e Gerson Moreira Barros (Campus Bragança)
2º Lugar:

- “Fibrete: produção de mudas em tubetes ecológicos desenvolvidos com resíduos da agroindústria do açaí”, de autoria de Andria da Silva Monte, Ana Vitória Bontá Souza, Renato Francisco da Silva Souza, Flávia dos Passos Alves e Adenilton Camilo da Silva (Campus Breves)
1º Lugar:

- “Produção de tomate cereja, utilizando resíduo da castanha-do-pará decomposta e esterco bovino”, de autoria de Iane Gabriele Barbosa Amaral, Heloisa Lemos Andrade, Nilde dos Santos Brito, Andreia Santana Bezerra da Silva e João Batista Belarmino Rodrigues (Campus Óbidos)
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